Titulo

Voluntariado On Line

Voluntariado On Line

Internet impulsiona ações para ajudar, com agilidade, vítimas de tragédias como o terremoto e o tsunami que atingiram o Japão.


Diante de tragédias, a comoção sensibiliza. Todo mundo pensa em ajudar, mas nem sempre sabe como. Um abraço amigo, ou melhor, uma ferramenta amiga, é a internet. Exemplo recente da força do voluntariado virtual está no caso do tsunami no Japão. Assim que a tragédia ganhou o mundo, proliferaram sites de ajuda ao país. A Google lançou o Google Crisis Response e o Person Finder, e o Facebook colocou atualizações sobre o caso em tempo real. Quem está longe descobriu que pode ajudar, recorrendo a páginas confiáveis e idôneas. Aqui no Brasil, o Voluntários On Line a a Visão Mundial estão divulgando maneiras de ajudar os amigos do oriente. De tantos lados ruins, essa é uma das faces positivas da internet.

O Voluntários On Line é um site mantido pelo site Voluntários em Ação, de Santa Catarina, que existe desde 1998. O portal foi criado em 2008 para fazer um elo entre as pessoas fazer um elo entre as pessoas que querem ajudar e aqueles que precisam de ajuda. De acordo com a gerente de Comunicação da entidade, Vanessa Aguiar de Jesus, quem quer ser voluntário pode jogar alguma palavra-chave no buscador do Google, por exemplo, e encontrar o Voluntários On Line. Lá, o interessado se cadastra, descreve seu perfil e interesses de atuação. Na outra ponta, há uma rede de instituições e causas que precisam de apoio. O site faz a ligação entre os dois lados. Tanto a entidade pode selecionar um voluntário quanto um voluntário pode selecionar uma opção de trabalho.

O problema, segundo Vanessa de Jesus, é que, por incrível que pareça, existem muito mais voluntários querendo atuar que instituições cadastradas. São 30 mil interessados para 465 organizações. \"As instituições têm que despertar para isso. As ONGs estão perdendo a oportunidade que a cultura digital oferece\", observa. Ainda assim, o grupo já conseguiu intermediar mais de 11 mil vagas de voluntariado por meio do portal. O grande \"case\" do Voluntários em Ação foi a tragédia das chuvas em Santa Catarina, conforme Vanessa de Jesus. \"Fomos a base para quem queria ajudar. Fizemos plantão no local para ajudar, passávamos informação o tempo todo sobre o que fazer e como ajudar\".

Agora, com a tragédia do Japão, o grupo também entrou em ação. Após contato com a Sociedade Brasileira de Cultura Japonesa e Assistência Social, que está recebendo doação financeira para o país oriental, o Voluntários em Ação começou a disseminar a possibilidade de ajuda por meio do site, do blog e das redes sociais, como Twitter e Facebook. \"Tudo que houver de novo, vamos divulgar. É uma tragédia sem precedente, e as pessoas ficam sem saber como ajudar porque é muito longe\", diz. Para se ter ideia do alcance do grupo, o número de seguidores no Twitter: 30 mil. Entre as vantagens do voluntariado on line, Vanessa de Jesus diz que é uma forma barata e rápida de se conseguir ajuda, a obtenção de voluntários qualificados e o aumento do capital social da ONG. O negócio é tão positivo que o Voluntãrios em Ação até preparou um manual para ser voluntário (disponível no site) e faz cursos on line para formar voluntãrios.

Outro site que se prontificou a fazilitar a vida de quem quer ajudar o Japão é o da ONG Visão Mundial. Logo depois da tragédia, foi colocado um link da World Vision (escritório mundial da entidade) para arrecadar fundos para o país. Assim como o apoio ao Japão, o site tem outras opções de ação voluntária, como o apadrinhamento de crianças, ajuda a Nova Friburgo (RJ) e lojinha solidária.

De acordo com a assessoria de imprensa da Visão Mundial no Brasil, Ana Paula Drumond Guerra, a entidade tem hoje o site e perfis no Twitter, Facebook e Orkut, além de mailing. \"Tudo o que é canal, a gente faz. As redes sociais são ferramentas que funcionam como \'anteninhas\' captando as pessoas que têm interesse em ser voluntárias\", dia. Segundo ela, o universo de voluntariado que atua virtualmente na ONG é impalpável, mas dá para ter uma ideia da importância na estimativa que ela faz do apadrinhamento que é feito por meio virtual. \"Cerca de 60% acontece pelo site, mas não posso falar que a internet é a motivadora do aparinhamento. É a ferramenta\", diz. Ana Paula Guerra observa que, a partir de maio, o portal será todo reformulado, com mais interatividade, o que deve ampliar ainda mais o voluntariado on line.

Há entidades que dependem de voluntários que são uma virada de 180 graus quando passam a atuar por meio da internet. Esse é o casoda ONG Cão Viver, de Belo Horizonte. A presidente da entidade, Mariza Catelli, conta que a instituição entrou pra valer na rede há cerca de dois anos, com site, Facebook e Twitter. \"A Cão Viver melhorou uns 80% desdeentão. Construímos agatil, reformamos banho e tosa...\", enumera. A quantidade de adoções por mês também aumentou, passando de 15 para 25 por mês. Também cresceu o número de voluntários dispostos a atuar na instituição. Segundo a presidente da ONG, o retorno é quase total quando é disparado um pedido de ajuda pelo mundo virtual. Em aneiro deste ano, por exemplo, a sede da ONG foi arrombada e furtada. Mariza Catelli conta que passou a noite disparando e-mails, cerca de 3 mil, além de espalhar a informação nas redes sociais. Hoje, dois meses depois, tudo o que foi retirado já foi reposto e ainda sobrou dinheiro e doações para fazer várias melhorias no local. Mariza Catelli conta que já recebeu apoio financeiro da Franã e da Inglaterra, fora o que vem de outros estados.

Um dos voluntários \"captados! por meio da internet pela Cão Viver foi o engenheiro eletricista Leonardo Barouin Melo, 44 anos. Há cerca de um ano, ele perdeu uma cachorrinha por erro médico veterinário e começõ a procurar na internet instituições que cuidavam de animais para ser voluntário. Foi assim que chegou até a Cão Viver. \"MArquei uma visita e comecei a trabalhar lá. Faço de tudo. Vou uma vez por semana e também quando tem reunião emergencial\", conta. Além do trabalho na ONG, ele adotou duas cadelinhas, ajuda na divulgação de pedidos de ajuda da Cão Viver e de outras instituições que cuidam de animais e já participou de petições on line, como a que pede o fim da caça às baleias.. \"Ter um site é muito importante porque a internet é uma ferramenta poderosa. Ninguém procura na lista telefônica uma entidade para atuar como voluntário\".

Desde os 17 anos, o empresário Daniel Savarini, hoje com 23 anos, atua como voluntário e, recentemente, ele ajudou a angariar donativos para os atingidos na região serrana do Rio de Janeiro, divulgando a arrecadação e os pontos de coleta por meio das redes sociais. Daniel Savarini também fez uma ação de doação de pão e café para mendigos do Centro de Belo Horizonte. Conseguiu levar 23 voluntários para a região para dar comida e conversar um pouco com os ajudados. Outra forma que encontrou para atuar como voluntário foi por meio do site Doe Palavras, do Instituto Mário Penna, em que as pessoas enviam mensagens de otimismo e conforto para pacientes com câncer. Também já doações para o Vale do Jequitinhonha e para a Cruz Vermelha, tudo pela rede mundial.

Hoje, Daniel Savarini é presidente de uma ONG, a Dona de Leite de apoio a crianças carentes e combate à desnutrição. Segundo ele, a divulgação das ações da entidade também ocorre pelas redes sociais. O site está para ser inaugurado e terá link destinado ao cadastramento de voluntários. O empresário conta que faz os contatos por meio de Twitter, Facebook e Orkut e está conectado a, mais ou menos, 3 mil pessoas. \"As redes sociais hoje são muito importantes. É importante para interagir, mesmo que a pessoa não esteja tão presente\", diz. Ele lembra que fez uma ação para a Dona de Leite em um sábado e cerca de 40% dos voluntários que apareceram atenderam a chamado feito pela internet.

Leonardo Bortoletto, diretor comercial e de marketing da Web Consult, utilizou o ramo em que sua empresa atua para ajudar a quem precisa e para aumentar a captação de doações para as entidades. Por meio da Web Consult, desenvolveu site para a Associação Beneficiente Cristã de Contagem (ABCC), que presta assistência a pessoas e famílias em situação de vulnerabilidade e risco social. \"Depois do site, a associação já deu retorno, falando que estão tendo mais apoiadores. Antes, as pessoas não conseguiam chegar até eles\", diz. Leonardo Bortoletto conta que a empresa também participou da campanha Saldão de Banners Solidários do Grupo de Apoio ao Adolescente e à Criança com Câncer (GRAACC). Para ele, o voluntariado on line é uma \"opção mais democrática, porque permite que qualquer pessoa colabore com qualquer valor\". \"Para ajudar, basta um clique\".
Fonte: Correio Semanal
Postado em: 21 de Março de 2011
Comentários | Comente | Compartilhe | Envie
Nenhum comentário moderado!
Nome*:

E-mail*:

Mensagem*:
Comentários | Comente | Compartilhe | Envie
Seu nome*:

Seu e-mail*:

Nome do amigo*:

E-mail do amigo*:
Cadastre-se na News da Web Consult
Área restrita Web Consult