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Vitrine para profissionais

Vitrine para profissionais

Rede social que se tornou referência no mundo corporativo, o LinkedIn é espaço não só para buscar novas oportunidades como também ampliar seu network


Tão importante quanto ser um profissional competente é saber se mostrar para o mercado de trabalho. Independentemente da vontade de mudar de emprego, é fundamental ampliar sua rede de contatos, incluindo pessoas de destaque na área de interesse. É trocar informações, compartilhar experiências, difundir conhecimento. É ficar atento à concorrência. Afinal, esse network que você faz pode ajudá-lo no momento em que você precisar. Na internet, tudo ficou muito mais fácil, por isso o sucesso do LinkedIn, a rede social que se tornou referência no mundo corporativo. Hoje, são mais de 100 milhões de profissionais cadastrados no site, sendo que cerca de três milhões estão no Brasil.

Pode-se dizer que o LinkedIn é um currículo on-line avançado, mas tome cuidado para não confundi-lo com um site de emprego. “Mais que expor o currículo, o objetivo da rede é conectar pessoas, não só por amizade, mas pelos trabalhos já realizados juntos, pelas experiências profissionais. Indiretamente, esses links acabam por gerar novos trabalhos”, esclarece o diretor comercial e de marketing da Web Consult, Leonardo Bortoletto. Outro erro é compará-lo com Orkut, Facebook e Twitter. O LinkedIn é uma rede social diferente, voltada exclusivamente para os interesses profissionais. Não há espaço para diversão.

Por ainda não ser tão popular no Brasil, o site concentra usuários que ocupam, em sua maioria, cargos de chefia. São coordenadores, gerentes, diretores, vice-presidentes e até presidentes. Bortoletto revela que esses gestores costumam se encaixar no mesmo perfil. Além da competência inquestionável, têm ampla experiência profissional, estão empregados, recebem na faixa salarial de média para alta e sabem do seu valor no mercado de trabalho.

POTENCIAL O conceito de rede social nem existia quando a relações-públicas Isabella Velloso Pereira, de 38 anos, criou um perfil no LinkedIn, há oito anos, incentivada por amigos. Naquela época, ninguém tinha noção da potencialidade do site, muito menos se a ideia ia dar certo. “A gente entrava mais por curiosidade, para ver quem estava lá”, relembra a atual gerente de inovação da Ativas, empresa de data center.

Assim como o LinkedIn, a carreira de Isabella cresceu rapidamente e logo ela assumiu o primeiro cargo de gerência, o que fez aumentar sua rede de contatos. “Antes era um network mais pessoal, só os amigos que faziam parte. Agora recebo em média, por semana, oito convites de pessoas que não conheço”, conta. Em geral, a relações-públicas observa, são profissionais de sua área de trabalho que estão em busca de uma oportunidade de emprego ou querem convidá-la para participar de grupos de discussão. Hoje, entre 155 conexões, estão desde vendedor até presidente de empresa.

Isabella acessa o site uma vez a cada dois dias, mas confessa que gostaria de ter mais tempo para se dedicar à rede social. “O LinkedIn é a grande vitrine dos profissionais”, analisa a executiva, que também destaca a possibilidade de medir sua valorização no mercado de trabalho. “É a melhor forma de saber se estou sendo vista, se sou competitiva, e de ter parâmetro com outros profissionais para ver em que nível estou e com quem posso me comparar. A consequência disso tudo é a empregabilidade.”

A visão é compartilhada pela gerente da Upside Executive Search, Carolina Santiago Lattanzio, que passou a usar o LinkedIn para preencher vagas de maneira mais rápida e assertiva. “É importante para qualquer profissional competitivo saber o que está ocorrendo na empresa concorrente, saber o que os outros profissionais da área dele estão fazendo, estar com o network bem afinado até para avaliar sua competitividade e ver o que precisa buscar. Serve como termômetro”, opina. Realmente, nada melhor do que descobrir a tempo que precisa investir em um curso que todo mundo do seu nível já fez, menos você.

Diferentemente do que muitos profissionais pensam, Carolina atesta que não há problema nenhum em fazer parte da rede social se se está empregado. “Ter uma página no LinkedIn não significa que você está insatisfeito com o seu trabalho ou disponível para o mercado. Você pode estar ali por diversos motivos. Para trocar informações, absorver mais conhecimento, discutir assuntos, conhecer o seu concorrente”, pontua. “Você pode ter certeza de que, se você ouviu um convite, seu chefe também já recebeu um.”

Rede de conexões

Criar seu perfil profissional no LinkedIn é o primeiro passo para ser visto no mercado, mas é importante ser claro e objetivo para atrair a atenção dos possíveis empregadores

Alertado por professores sobre a importância de manter uma rede de contatos, o então estudante de sistemas de informação Bruno Ferreira Leite, hoje com 26 anos, resolveu se inscrever no LinkedIn. A ideia dele era disponibilizar o perfil profissional na internet e a partir daí buscar oportunidades de emprego, mas a segunda parte do plano ficou esquecida por um tempo. Até que, frustrado com três trocas seguidas de trabalho, Bruno reativou o perfil, disposto a se conectar com quem pudesse lhe oferecer uma chance. “Para não entrar em qualquer empresa, precisava selecionar a melhor”, conta.

Bruno ficava de olho na página dos amigos para tentar encontrar uma vaga disponível. Em uma das buscas, descobriu que um ex-colega de trabalho havia sido contratado por uma empresa que já conhecia, a Bolt Brasil Comunicação Digital, e decidiu arriscar. “Vi que ele estava conectado ao gerente e ao coordenador de projetos da empresa. Pedi para adicioná-los e, em seguida, mandei uma mensagem dizendo que estava em busca de oportunidade”, relata. O recém-formado deu sorte. No dia seguinte, soube que havia surgido uma vaga. Convidado de imediato para uma entrevista com os dois gestores, ele saiu de lá empregado. “Não imaginava que seria tão rápido.”



Há três meses, o jovem trabalha como analista de sistemas na Bolt, mas, mesmo empregado, não deixa de navegar no LinkedIn. Já até trocou mensagens com um dos principais desenvolvedores de softwares de uma empresa norte-americana e manifestou interesse de participar de um projeto dela. “Eles acharam meu currículo interessante, apesar de a maior parte do conteúdo da minha página estar em português, e perguntaram se eu gostaria de participar do processo seletivo.” Bruno passou por todas as etapas, só não se mudou porque não quis. O custo de vida lá seria muito alto, ele avaliou.

ATUALIZAÇÃO Exemplo de sucesso no LinkedIn, o analista de sistemas percebe que muitos profissionais, inclusive da área de informática, ainda não se deram conta da utilidade da rede social. “Por incrível que pareça, só eu e o coordenador de software daqui estamos ativos no LinkedIn. As outras pessoas criaram perfil há dois, três anos e não o atualizaram mais”, destaca. Por isso, aconselha: “Se você só criar a página e esperar o contato, vai ser difícil acontecer alguma coisa. Tome iniciativa e deixe a preguiça de lado. Não tenha medo.”

Para os profissionais que, assim como Bruno, querem se recolocar no mercado de trabalho com a ajuda do LinkedIn, a headhunter Carolina Santiago Lattanzio, gerente da Upside Executive Search, dá outras dicas. Como ela acessa inúmeros perfis por dia, sabe bem o que é visto com bons olhos. “Quem tem perfil no LinkedIn e quer ser visto pelo mercado precisa ser bastante claro e objetivo. A página deve ter leiaute simples e ser fácil de visualizar”, explica. Não peque pelo excesso de informações, pois isso pode até atrapalhar. “Se eu tiver uma dúvida, vou fazer contato e o candidato vai ter a oportunidade de esclarecê-la.”

Já que realmente é preciso selecionar os dados mais importantes, Carolina destaca o que não pode faltar em seu perfil no LinkedIn. Primeiro, a formação acadêmica completa: graduação e pós-graduação. Em seguida, as empresas por onde passou, quanto tempo ficou e quais cargos exerceu. “Às vezes o profissional não quer expor a empresa em que está, porque quer se mostrar para o mercado e fica receoso de o chefe ver. Mas ele precisa colocar, pelo menos, o segmento e o porte da empresa. Por exemplo: indústria siderúrgica multinacional. É um ponto importante, que todo mundo olha, o sobrenome empresarial. Isso pesa”, alerta a headhunter.

Se tiver experiência internacional, não deixe de especificar o país onde morou, o período e o que fez. “É um diferencial legal, porque aí a gente tem mais certeza do seu nível de inglês”, informa Carolina. Não se esqueça de que é muito importante dizer a verdade em relação ao conhecimento do idioma. “Pode até ser que, durante o processo, não seja preciso falar, mas se a empresa está exigindo, uma hora você vai precisar e pode acabar se expondo de forma desnecessária.”

A sinceridade não se aplica apenas para o idioma. Definitivamente, não vale a pena mentir. “Não só o headhunter, mas todo profissional de recursos humanos está preparado para fazer uma entrevista e ele vai perceber que alguma coisa está esquisita. Ele vai buscar alguma referência, vai ver se conhece alguém que já trabalhou com você e vai conseguir desvendar aquilo”, comenta Carolina. Na internet, então, fica muito mais fácil de chegar à verdade e até descobrir uma informação que tenha sido omitida.

A gerente da Upside Executive Search esclarece que não adianta nada ter um currículo atraente no LinkedIn se você não acessa o site com regularidade. “Se você tem um perfil superinteressante, mas só entra uma vez por semana, pode perder um importante contato, porque uma semana é muito tempo. A gente já fez contato com profissionais que só retornaram 15 dias depois. Talvez ele pudesse ser o cara, poderia ser a oportunidade da vida dele, mas aí já foi”, conta. O profissional que não está atento a isso pode até perder seu valor no mercado de trabalho.

PASSAPORTE Assim que se formou, em janeiro do ano passado, a psicóloga Vanessa Ramos, de 24, aceitou um convite para entrar no LinkedIn. “Como tinha mais vontade de trabalhar com recursos humanos, coloquei os estágios que tinham a ver com a área. Aqueles que tinha feito em hospital ou em atendimento clínico, deixei de fora porque não era o meu foco”, lembra. A jovem se conectou a amigos, parentes e colegas de faculdade, mas se perguntava se aquilo ia dar algum tipo de resultado. Para ela, deu sim.

Nessa mesma época, o Núcleo Brasileiro de Estágios (Nube) começou a procurar uma psicóloga para o recém-criado setor de recursos humanos no escritório de Belo Horizonte. “Precisava ser jovem, já formada, dinâmica e alinhada ao clima da empresa”, conta o superintendente Alberto Cavalheiro, responsável pela contratação. Primeiro ele pediu indicação para algumas faculdades, mas não deu certo. Depois partiu para a divulgação. Três meses se passaram e nada. Sabe onde ele foi encontrar a Vanessa? No LinkedIn. “Não sabia que as empresas já estavam usando o site assim. Estou surpresa”, confessa a psicóloga, que ficou sabendo disso pouco antes da entrevista.

Vanessa passou quatro meses sem acessar sua página no LinkedIn, logo que conseguiu o emprego, mas reconhece que não está certo. “Isso não é vantagem. Você tem que atualizar seu perfil sempre, independentemente do grau de satisfação com o emprego ou o estágio, porque é uma forma de contato com outras pessoas. Ainda mais no mundo de hoje, em que as coisas mudam rapidamente e as pessoas ficam muito menos tempo em cada emprego”, analisa a jovem, que agora está do outro lado e acompanha os processos de seleção.

Dicas para usar o LinkedIn:

Não se esqueça de que o LinkedIn é uma rede social de profissionais e empresas. Portanto, seja criterioso com o tipo de conteúdo que vai compartilhar.

Quanto mais completo for o seu currículo, melhor. Não deixe de informar sua formação acadêmica, experiência internacional e citar as empresas da área de interesse por onde passou.

Não exagere no tamanho dos textos. Seja claro, objetivo e sucinto.

A frase de destaque deve ser condizente com o tipo de atuação profissional.

A página deve ter leiaute simples para que seja de fácil visualização.

Esteja sempre atento à norma culta. Erro de português no perfil do LinkedIn é um pecado.

Mantenha o currículo sempre atualizado.

Não inclua atividades e experiências profissionais que já não condizem com seu objetivo profissional. Foque no presente e no que deseja para o futuro.

Saiba pesquisar as oportunidades no LinkedIn. Para tanto, estabeleça conexões com pessoas com quem vale a pena trocar informações, senão será uma perda de tempo.

Procure acessar diariamente sua página no LinkedIn. Se não checar seu perfil com regularidade, você corre o risco de perder uma ótima oportunidade de emprego.

Não deixe de responder às mensagens, mesmo que não tenha a intenção de aceitar uma proposta.

Crie recomendações para amigos e seja recomendado por outros profissionais. Isso agrega valor ao seu perfil no LinkedIn.

Tente sempre aumentar sua rede de contatos. Isso pode favorecer o surgimento de novas oportunidades profissionais.

Se tiver um blog voltado para o seu ramo de atividade, inclua o endereço em seu perfil.

Fique atento ao selecionar a foto para o LinkedIn. Dê preferência para o estilo passaporte ou 3x4. Não poste fotos com outras pessoas nem em
ambientes informais.
Fonte: Estado de Minas
Postado em: 15 de Maio de 2011
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