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Promissor, marketing digital ainda é pouco explorado

Promissor, marketing digital ainda é pouco explorado

Não basta ser um heavy-user da internet e redes sociais. É indispensável especialização.


"É perigoso acreditar que uma empresa sobrevive apenas com ações em redes sociais, crendo que nada mais sob o ponto de vista de comunicação e marketing precisa ser feito, desde que se tenha um site, um twitter e um facebook agitados". O alerta é do publicitário Bira Miranda, diretor de planejamento da B1 Comunicação, abordando o marketing digital - uso das estratégias mercadológicas na internet. Bira frisa que para as empresas terem um marketing digital efetivo é preciso mais do que um site e redes sociais. É indispensável especialização na área e criatividade, para impactar o público.

Com a popularização da web, somada às características do meio, como velocidade de disseminação de informação, flexibilidadede horários para se impactar o público-alvo, diversidade de ferramentas e interatividade, a internet se tornou um ambiente propício para melhorar os negócios de empresas de todos os portes. Fácil assim? Nem tanto.

Os profissionais da área ressaltam que as empresas precisam estar onde os clientes estão. Ou seja, não é uma imposição da tecnologia, mas uma mudança no comportamento do consumidor, que está utilizando cada vez mais a internet como meio de comunicação, relacionamento e entretenimento.

Planejamento

Bira Miranda avalia que o ponto-chave para se obter sucesso é, antes de qualquer coisa, planejar sua presença digital, medir os resultados e reavaliar o planejamento original. "E entendo que as ações digitais não são uma tábua de salvação e sim parte de uma ampla estratégia que a empresa precisa ter para atingir seus objetivos e metas", observa.

Carlos Delucca, professor de marketing digital e gerente de negócios da Plan B Comunicação Digital, acredita que hoje o arsenal de ferramentas para criar e sustentar relacionamento ou engajar consumidores é muito mais amplo e poderoso. "Se pensarmos que o twitter de uma marca de xampu, por exemplo, interage com seus seguidores de forma pessoa, respondendo a perguntas específicas e até desejando sucesso às pessoas que vão a uma festa com looks produzidos com o cosmético, temos aí a personificaçaõ da marca. E a percepção de um relacionamento muito mais íntimo e pessoal do que jamais imaginado, quando os consumidores se relacionavam com as marcas mandando cartas".

Mercado de trabalho

Durante esse cenário, um estudo da Associação Brasileira das Agências Digitais (ABRADi) apontou que, entre 2009 e 2010, as agências de marketing digital cresceram 28,9%. Os investimentos na área também estão aumentando sensivelmente, sendo que no ano passado atingiram cerca de 10% do orçamento de marketing das empresas, com estimativas de aumento de 90% até 2014.

Com o crescimento das agências, consequentemente a demanda por profissionais aumenta. E é vislumbrando esse mercado promissor que Camila Florêncio, analista de redes sociais da agência digital Plan B, está fazendo o curso de MBA em Mídias Sociais e Gestão da Comunicação Digital na UNA.

"Com a popularização da web, muitas pessoas acabam buscando sua profissão por ali. E, em alguns casos, os profissionais não se preparam para isso, por acreditarem que apenas a experiência pessoal, como usuário, é suficiente. A especialização, aliada à minha experiência de três anos trabalhando com web, pode me tornar mais competitiva no mercado de trabalho", frisa Camila. Ela acredita que o mais importante do curso é a troca de experiências e o encontro com profissionais da área, tanto professores como alunos, que a ajudam a encarar a profissão.

Minas e o digital

O coordenador dos cursos de MBA e pós-MBA em Comunicação e Marketing Digital da FGV/IBS, Nino Carvalho, analisa que o marketing digital ainda é pouco explorado, embora cheio de possibilidades e desafior. "O importante é que estamos começando a qualificar os profissionais do país e o Brasil deve explodir nessa área nos próximos dois ou três anos", diz.

Para Nino, "Minas é certamente um dos estados que entraram mais rapidamente no ambiente digital. Temos agências ousadas, empresas inovadoras e mentes criativas. O mercado mineiro pode se tornar um dos mais produtivos e atraentes do país em pouco tempo", diz o coordenador, acrescentando: "É uma tremenda oportunidade para empresas e profissionais da área. Além disso, Minas conta com alguns dos principais veículos de comunicação do país. Isso por si só irá impulsionar esse setor em curto prazo".

Os profissionais que já estão enxergando essa oportunidade devem se especializar, como é o caso de Bernardo Cunha, que já garantiu emprego na área graças ao curso de pós-graduação em Marketing Digital que está fazendo no UniBH.

"As empresas precisam de gente capacitada que esteja acostumada com o ambiente digital, mas que também entenda de estratégias de marketing. Há um mercado imenso crescendo a passos largos todo ano e espero em pouco tempo me tornar especialista nessa área. Os resultados já estão acontecendo, pois, por causa dessa especialização, uma grande empresa de tecnologia, a Samba Tech, me contratou. Hoje, é indesculpável um profissional de marketing não entender e trabalhar com o digital".

Os salários são bem atrativos. Nino Carvalho conta que nos principais mercados, como São Paulo e Rio de Janeiro, uma organização de médio porte chega a investir cerca de 7 ou 8 mil reais em seus gerentes de planejamento estratégico em martketing digital. "Em outras praças no cenário digital do país, como Minas, Rio Grande do Sul, Espírito Santo e Brasília, provavelmente essa faixa fica em torno de 5 mil reais. Já nas agências, esses valores tendem a ser um pouco mais baixos", observa.

Alexandre Estanislau, diretor da Bolt Brasil Comunicação Digital, dá algumas dicas sobre os diferenciais que caracterizam o profissional de marketing digital. "Fazer uso real do digital e ser capaz de traduzir comportamentos para esse meio. Entender não somente dos meios, mas das pessoas envolvidas nele. É um misto de entender de tecnologia, pois ela é a base do trabalho, e entender muito de pessoas, de comportamento".

E acrescenta outras características: "Ser observador é fundamental nesse negócio. Ter versatilidade, saber lidar nos mais diferentes terrenos e situações. Pensar a médio e longo prazos, saber trabalhar com equipes multidisciplinares, ter bagagem cultural. Saber ouvir e ter criativiade".

E-commerce

O comércio eletrônico é uma das ferramentas que mais se expanderm no marketing digital. De acordo com os dados da E-bit, empresa referência de informações em e-commerce no Brasil, no primeiro semestre de 2011 foram faturados R$ 8,4 bilhões em bens de consumo via web. No mesmo período de 2010, o faturamento foi de R$ 6,8 bilhões, um acréscimo de 24% de um ano para o outro.

Ainda de acordo com com o relatório, no primeiro semestre de 2011, 4 milhões de consumidores compraram pela primeira vez pelo e-commerce. Com esse número, chega-se a 27,4 milhões de e-consumidores que fizeram ao menos uma aquisição pela internet até hoje.

A previsão é de que o comércio eletrônico apresente um faturamento de R$ 18,7 bilhões ao final de 2011, o que representaria um acréscimo nominal em torno de 26% em relação a 2010, quando o setor faturou R$ 14,8 bilhões.

Na busca por esses consumidores on-line, a loja de artigos esportivos Centauro desenvolveu o seu e-commerce em 2003 e vem conseguindo bons resultados com a integração entre a loja virtual e a física.

"O site funciona como estímulo de vendas ao canal físico uma vez que serve como catálogo para os consumidores que querem saber o que há de mais novo no mercado, lançamentos e promoções. A loja acaba ajudando muito as vendas on-line, pois torna-se referência de segurança aos clientes que podem ficar inseguros se o produto não servir ou não atingir as expectativas quanto a cor e caimento. Sabendo que poderá trocar em qualquer loja o produto comprado no site, a insegurança de efetuar a compra desaparece", explica Fábio Bonfá, diretor de e-commerce da Centauro.

O executivo observa ainda que os mineiros são bons compradores da loja de artigos esportivos: o estado representa 14% das vendas totais do e-commerce no país.

Faltam profissionais qualificados para atuar em e-commerce. Segundo o Diretor-Presidente da Web Consult, Leonardo Bortoletto, essa deficiência se dá devido à pouca oferta de cursos de graduação especializada em marketing digital, e à falta de experiência dos profissionais nesse setor.

"É importante que todos tenhamos noção da força da internet no setor de vendas na atualidade e o espaço que ela ainda alcançará no setor nos próximos anos", analisa Bortoletto.
Fonte: Jornal Minas Marca
Postado em: 01 de Setembro de 2011
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