Inclusão Digital
A popularização da banda larga no Brasil como estratégia para uma vigorosa inclusão social por meio da inserção digital ainda está em fase inicial de implementação, mas já apresenta os primeiros...
A popularização da banda larga no Brasil como estratégia para uma vigorosa inclusão social por meio da inserção digital ainda está em fase inicial de implementação, mas já apresenta os primeiros sinais de resultados. Afinal, entre desoneração fiscal, investimentos em estatais, financiamentos e incentivos à pesquisa, até 2014 o governo pretende investir R$ 13,5 bilhões em cinco anos para triplicar o acesso à internet rápida, chegando a 40 milhões de domicílios que irão gerar 90 milhões de acessos individuais em todos os estados e Distrito Federal. Dados da Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee), por exemplo, revelaram que o setor de telecomunicações deve crescer 21% nesse ano. Neste 1º semestre, o segmento cresceu 17%.
O governo acredita que o desenvolvimento do país somente será efetivo com a inclusão digital. O desafio é grande, afinal atualmente, apenas 21% dos domicílios, ou 5,3 pessoas a cada cem brasileiros, possuem acesso a banda larga, pagando em média R$ 50,00 pela banda com velocidade de 256 kbps (quilobits por segundo). Essa universalização da internet rápida pode baixar o custo mensal para R$ 15,00 e ampliar a velocidade oferecida para 512 kbps ou R$ 35,00 para velocidades entre 512 e 784 kbps. No ano passado, os preços mais baixos de mercado variavam entre R$ 49,00 e R$ 96,00, para uma velocidade abaixo de 256 kbps e o número de lares com serviço de internet era de 11, 999 milhões. A primeira meta é ousada com projeção de levar a internet de banda larga a mais de 100 municípios ainda neste ano.
Essa iniciativa governamental foi fundamental uma vez que a banda larga no Brasil ainda é cara e só existe nos grandes centros urbanos, onde também custa mais barato. Vale lembrar que as regiões mais pobres estão excluídas desse processo. Para dar certo, é preciso baixar os preços para que o país possa multiplicar os acessos, expandindo também as possibilidades de negócios e de projetos nas áreas de educação, saúde e segurança.
Para se ter uma idéia, o comércio eletrônico brasileiro fechou 2009 comemorando um crescimento de 30% com um faturamento de R$ 10,6 bilhões. O 1º trimestre deste ano já apresenta expectativa de maior crescimento e uma dessas novas oportunidades de negócios está no aquecimento das vendas de computadores e celulares com acesso a Internet.
Segundo o e-bit, 17,6 milhões de pessoas consumiram virtualmente um ticket médio de R$335,00 no ano passado, representando uma elevação de 33% em relação a 2008. Pra este ano, a expectativa é chegar a 23 milhões de pessoas, contribuindo para ampliar o faturamento do setor em cerca de 30% com expectativa de atingir R$ 13,6 bilhões em dezembro.
O projeto federal começou com a implementação do chamando “backbone”, no Distrito Federal, Rio de Janeiro, São Paulo e Minas Gerais, que serão seguidos por estados da região Nordeste, por já possuírem anéis de fibra óptica, estrutura necessária para acesso. O objetivo inicial é possibilitar que os mais de 1,7 mil provedores atuantes hoje no país tenham condições de participar e contribuir para esse processo de expansão da banda larga, até então dominado por três grandes operadoras: grupo Embratel Net, Telefônica e Oi, que respondem por 86% das conexões brasileiras.
A última edição do estudo da Cisco mostrou que o mercado total de Banda Larga cresceu 1,3 milhões de conexões no 2º semestre de 2009, o que representou um crescimento de 9,5%. Na 1ª edição em 2005, os organizadores dessa medição traçaram uma meta de 10 milhões de usuários até 2010. Contudo, esse índice foi revisto para 15 milhões em 2008, meta superada em junho de 2009. Uma nova meta está em estudo, uma vez que a velocidade média esta aumentando e oito das doze cidades que serão sede da Copa do Mundo terão banda larga a R$35,00 ainda este ano.
O mercado e a população devem ficar atentos enquanto essas regras ainda não estão totalmente definidas para exigirem que sejam diversificadas e que atendem tanto a cidades com muitos habitantes, quanto àquelas que tenham população pequena, quer sejam em áreas urbanas ou rurais. Afinal, o objetivo é aumentar a velocidade da banda larga, reduzir preços e universalizar o acesso virtual. Dessa forma, com certeza, muito antes da Copa do Mundo de 2014 e das Olimpíadas de 2016, o Brasil terá essa tecnologia amplamente utilizada na maior parte de seu território.
Fonte: Jornal Estado de Minas - 02/09/2010
Postado em: 14 de Setembro de 2010