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Fé Online

É cada vez maior o número de pessoas que utiliza a internet para exercer sua religiosidade e as possibilidades vão desde enviar santinhos até pedir aconselhamento.


A religião caiu na rede. Espalhou-se ainda mais entre nós. No princípio era a palavra, que se solidificou na escrita, transmitiu conhecimento da lida com o sagrado, o desconhecido, o místico. Acrescentou, multiplicou, esparramou-se com o avanço tecnológico para um plano diverso do entre o céu e a terra: ocupou o espaço no mundo virtual. Somou fala, escrita, deu a cada um a possibilidade de ser criador e divulgador, em qualquer lugar, tempo. O www.deus.com abriu as portas para a interatividade, pôs a mão do fiel a chave de acesso direto à divindade. Só ele na frente da tela. Do outro lado a infinitude a um toque, à escolha de mais de 1oo denominações de crenças. Pode-se tudo: acender velas, pedir orações, participar de discussões, opinar, implorar o perdão de Deus e dos homens, enviar súplicas ao Muro das Lamentações em Jerusalém, distribuir santinhos, mensagens, assistir a cultos, falar com o papa, o padre, rabino, pastor, xique, lama. Suplicar aconselhamento, ajuda para as agruras da vida, no anonimato, a qualquer hora, em qualquer lugar.

Até mais neste infindável todo-poderoso planeta on-line, que remove montanhas, derruba a torre de Babel. Lê-se em sua língua em quase todos os cantos da terra, com a escolha de idioma nos sites religiosos aos montes na internet. Convivem neste mundo Jesus, que nasceu a 2.011, tão acessado nste final de ano em terras cristãs, Maomé, Buda, o Deus que você acredita. Os lugares sagrados são puxados pelo computador para dentro de casa, do trabalho, do shopping, de onde esteja e deseja. Está em suas mãos, a um clique, com a chance de intervir, não só assistir. \"A internet cria essa possibilidade de comunicação de todos-com-todos\", diz Jonatas Dornelles, doutor em antropologia social e analista-chefe da eCMetrics, consultoria em pesquisa e mídia social.

Só ouvir, ler não basta. A religião multiplica-se sem imposições, exclusividades, cobranças, nem vale de lárimas, sacrifícios. \"A interatividade é potencializada por meio do oferecimento de inúmeras opções de prática da fé\", afirma Dornelles. Pode-se clicar no que mais lhe aprouver, suprir suas necessidades nesse campo democrático. \"As religiões encontraram na internet uma maneira de se aproximarem de seus fiéis e manter viva sua fé, seja qual for sua crença\", avalia o especialista em soluções virtuais Leonardo Bortoletto, diretor da Web Consult. Entrar na sala de orações, na de cura, na de pessoas sozinhas, em onde está o meu sucesso, na de problemas financeiros do site norte-americano www.live-lifechurch.tv e falar, ali, naquela hora. Se o problema for mais grave, ser chamado a uma sala reservada. O cybet.church.com diz que traz Deus pela internet, o brasileiroo bibliaonline auxilia o fiel em 106 alternativas de crenças, da cientologia ao xintoísmo, fora a opção de outros. O Goocrente localiza os sites cristãos, o Meu Santo ajuda a cumprir promessa, o do Vaticano leva ao papa, o twiter ao Muro das Lamentações, o israelense a documentos do judaísmo, o islâmico à Meca e assim vai, navega a humanidade nas oceânicas redes on-line ecumênicas.

\"Aqui, como em tudo na vida, a oferta é proporcional à prp]ocura. Estamos em plena era digital e o que não está na rede não existe\", agrumenta a psicóloga Vânia Maciel. Mergulhar no computador,entrar no outro lado, de quem atende, faz os sites. Lá está o endereço paulista Maurício Zanini que trocou de lado há cinco anos quando fez promessa a Expedito, o das causas justas e i]urgentes, de distribuir mil santinhos. Como achou difícil entregar um por um! Expliar o porquê, nem conhecia mil pessoas. Gastou três meses. Na internet fazia isso instantaneamente. Por que não? Pulou para a era digital, montou o site Meu Santo, hoje com a história, o perfil de 300 deles, ajudado pelos internautas, e a possibilidade de distribuí-los num segundo quando o pagador da promessa desejar ter seu pedido atendido. Expandiu da entrega dos santinhos ao agradecimento, ao mural de graças, ao recente espaço de pedido de perdão

\"Eu e meu pai construímos máquina que enrola as orações automaticamente. Isso no poupa muito tempo\", diz Alon Nir, o fundador do serviço. Veio com o aumentodas preces, Que entulham aos milhões o seu twiter. \"Já recebi de mais de 150 países. A maioria é dos Estados Unidos, depois o Brasil. A segunda língua dos pedidos é o português.\" É um vai ao muro, vem ao twiter, gastança de tnta e papel. \"Mas sou feliz em fazê-o.\" Continua na labuta, a qualquer hora, com a colaboração da família e de amigos para ajudar tanta gentesedenta por ter suas preces nesse munro, local mais sagrado do judaísmo.

Sem incômodos, viagens, mais sucintos em seus pedidos de 140 caracteres no twitter e resumindo também nas mensagens, opiniões pelos sites religiosos. Economiza-se no tempo, no espaço, no lugar. \"No aconselhamento on-line, as pessoas são mais objetivas e a gente pode atender número maior de fiéis\", afirma a pastora Miriam Lemos Souza Perdigão, da Igreja da Lagoinha, de Belo Horizonte. Em casa, onde estiver com seu notebook sempre pronta a atender a quem precisa, de qualquer religião, sem denominações. \"Há muitos católicos, jovens, sonas de casa.\" Aplaina as diferenças, ameniza, limpa o ambiente para aliviar as agruras dos fiéis,atingir público maior.

\"A internet trouxe a religião para uma nova linguagem. O problema é quando vira entretenimento, satisfaz minha angústia, mas perde o poder de transformação\", diz Carlos Frederico Barboza de Souza, doutor em Ciência da Religião e professor da PUC Minas. Pode cair na rede da superficialidade, da individualidade, da mágica de acender velas, do só eu sou importante, da escolha do que se quer na variedade de de sites. \"A capacidade de a religião fazer a cabeça deste fiel é diminuída. Não há compromisso com Deus, nem com a população.\" Ele troca na hora que bem entender, quando contradizer seus interesses. Aí, o sagrado perde a capacidade de levar o fiel a crescer, a comprometer com a existência, o outro, a sociedade. \"Não que seja contra esses sites. Eles podem ajudar, depende do que eu faço.\"

Há o lado bom e o negativo como tudo na vida. é mais uma via de comunicação, compartilhamento da crença neste santuário moderno, de troca de informações, de aprendizado. \"Não acredito que a religião na internet possa, somente ela, converter um indivíduo\", afirma o antropólogo Jonatas Dorneles. É, o mundo virtual não se desliga do real. Vive-se neste planeta, fincado na terra, com 6,6 bilhões de pessoas diferentes, que paira no universo. \"Estamos correndo o risco de uma civilização cada vez mais conectada a tudo e a todos, mas também desconectada de si mesma. O ser humano é essencialmente social. Em algum momento esse paradoxo será evidenciado. O tempo nos dirá\", diz a psicóloga Vânia Maciel. É esperar para ver. Crença há.
Fonte: Viver Brasil
Postado em: 17 de Dezembro de 2010
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