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É o fim da era dos PCs?

É o fim da era dos PCs?

Institutos de pesquisas, empresas e usuários comuns já veem a era dos desktops vivendo últimos anos como centro da informação e comunicação. Tudo em nome da mobilidade.


Sonho de muita gente durante muito tempo e, em determinado momento, até sinônimo de status social, o desktop parece estar com os dias contados. Informações divulgadas recentemente pela empresa de pesquisas IDC dão conta de que a produção, sempre crescente, de smartphones cada vez mais poderosos, de tablets com capacidade de agregar mais e mais funções e de outros dispositivos equipados com sistemas operacionais móveis irá superar a de PCs em menos de dois anos. É um marco na história da informática e indica claramente que o fim de uma era, chamada pelo instituto de \\\"PC-cêntrica\\\", está mesmo em curso.

Segundo a IDC, a produção mundial de dispositivos móveis vai atingir este ano 377 milhões de unidades e, em 2012, chegará a 462 milhões,superando as vendas de PCs, que deverá ser de 448 milhões. Claro que o computador pessoal, como o conhecemos, não vai sumir das prateleiras de uma hora pra outra, mas não resta dúvida de que as informações do instituto de pesquisa devem ser vistas como uma mudança histórica. Mesmo que, no fundo, elas comprovem mais o crescimento e a consolidação de um novo mercado, - que é o da computação móvel - do que a derrocada de um mais antigo - o dos desktops. Os próprios números indicam que também a produção de PCs vai continuar a aumentar, apesar de em menor escala que a de outros dispositivos.

Usuários

Independentemente de números, a preferência pelos dispositivos móveis em detrimento dos PCs é uma realidade que pode ser comprovada a todo momento. A advogada e professora de inglês Ana Clara Flores conta que, passando uma temporada na Inglaterra, resolveu criar uma espécie de diário virtual para compartilhar as experiências vividas no exterior e, para isso, comprou um netbook. \"Foi o início do fim da utilidade do desktop da família Flores\", revela. Também o desenvolvedor web Glauver Fontora joga no time dos \"sem PCs\". Há três anos, por questão de mobilidade, só usa smartphone e notebook. \"Levo os equipamentos para todos os lugares. Para acessar a internet, nem laptop tenho usado mais, dando preferência aos dispositivos ainda menores\",afirma.

Esse fenômeno tem ocorrido também no universo corporativo, que vêm substituindo seus PCs por mobilidade. \"Já há algum tempo não uso um desktop para nada e, agora, fazendo modificações na minha empresa, estou substituindo os computadores dos funcionários por tablets, que são muito mais úteis para o trabalho que desenvolvem\", afirma Leonardo Bortoletto, diretor de Marketing da Web Consult. Steve Jobs, pelo jeito, estava certo quando, no ano passado, durante conferência da Adobe, na Califórnia (EUA), disse que a era do PC caminha para o fim e os dispositivos tablet, como o iPad lançado pela sua empresa, vão ocupar rapidamente o seu lugar. E, profetizando, finalizou: \"PCs serão como caminhões. Eles ainda vão estar por aí, mas representarão cada vez mais um número menor\".

Caminho sem volta

Também o mundo corporativo começa a se abrir para os dispositivos módeis, enxergando neles mais rendimento na realização de trabalhos. Uma empresa belo-horizontina que está migrando dos estáticos PCs para a mobilidade é a Web Consult, especializada em soluções tecnológicas e marketing digital. Aproveitando modificações e ampliação de suas instalações físicas, está entregando aos seus funcionários tablets, com um investimento total (incluindo ítens estruturais) superior a R$300 mil. \"Nós temos hoje 73 clientes fixos e ativos. Todos eles, quando definem novos investimentos de TI em suas empresas e fazem comparativos entre o PC, o notebook e os tablets, optam também pela portabilidade. Este é um caminho sem volta\", afirma Leonardo Bortoletto, diretor de Marketing da Web Consult.

Ele conta que esteve na principal feira de tecnologia do mundo, realizada na Alemanha, este ano e ficou impressionado com a quantidade de novidades expostas e com o baixo preço delas. \"Os tablets tiveram um espaço especial no evento, com designs cada vez mais inovadores. A tendência é os preços deles diminuirem bastante também por aqui, o que vai levar, indubitavelmente, à popularização e adoção desse tipo de equipamento por uma grande maioria de usuários\", considera.

Integração

O próprio executivo já não usa um PC há tempos. \"Tenho um MacBook, um iPad e um iPhone e uso casa um deles para funções bem específicas. Com o iPhone estou sempre conectado, mesmo durante as reuniões. Para se ter ideia, carrego sempre um carregador de bateria comigo, pois o aparelho passa 24 horas ligado. O iPad é mais usado nas apresentações que faço a clientes e especialmente nas reuniões. Já o notebook da Apple é hoje meu computador pessoal, pois não tenho mais PC. Uso todos os equipamentos da mesma marca para facilitar as integrações\", afirma.

Para ele, os PCs para funções corporativas vão permanecer úteis ainda por um tempo em empresas que necessitam de alto processamento e/ou que não veem muita utilidade na mobilidade. \"Tirando isso, não vejo justificativa para se trabalhar com desktops tradicionais. Trata-se de um mercado que não será extinto a curto prazo, mas que sofrerá cada dia mais substituições\".
Fonte: Estado de Minas
Postado em: 24 de Março de 2011
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