Baixa renda chega ao e-commerce para ficar
Faixa já é respponsável por 46,5% de todas as compras no varejo online - Compras coletivas e prazos alongados explicam parte da popularização
Os consumidores de baixa renda estão cada vez mais presentes no e-commerce. Segundo levantamento da e-bit, empresa especializada em informações do setor, 61% dos estreantes no varejo online ganham até R$3.000 por mês. A auxiliar administrativa Luana Prado, 18, se enquadra nesse cenário. Há menos de dois meses, ela estreou no e-commerce. "Antes eu não comprava porque tinha receio, mas agora sei que tem comprovante, sei que eles trocam e que posso comprar qualquer coisa", conta Luana, que estreou com ingressos para shows.
A cada ano, a classe C é mais presente no comércio pela internet. Em 2009, representava 44,6% de todo o público do e-commerce. Em 2011, a participação subiu para 46,5%, um aumento de 4,3%.
O diretor-presidente da Web Consult, Leonardo Bortoletto, explica que a popularização do e-commerce tem hoje como principal justificativa o crescimento dos sites de compras coletivas. Entretanto, ele ressalta que existem vários outros motivos, como a entrada de empresas com produtos mais populares no varejo virtual. "Antigamente, víamos ofertas de produtos de marca, mais caros. Hoje os produtos são mais populares e mais baratos. Isso acaba cm o mito de que internet é coisa para rico", ressalta Bortoletto.
A empresa de cosméticos Lojas REDE é um exemplo recente. "Ela estreou no e-commerce há dois meses e as vendas pela internet crescem muito a cada semana. Já respondem por uma parcela significativa do faturamento, o que prova que há demanda", explica.
Outro fator que explica o crescimento da presença da classe C no e-commerce é a facilidade nas condições de pagamento. "Antes as vendas eram divididas em três vezes. Agora é possível comprar em até 12 vezes, sem juros, o que permite que as pessoas comprem produtos mais caros, e comprem mais", afirma Bortoletto.
Acesso.
O diretor de marketing e produtos da e-bit, Alexandre Umberti, destaca que outra explicação para o aumento da participação da classe C é o crescimento do acesso aos computadores, e o próprio aumento do número de pessos nessa faixa. "No governo Lula, a participação geral da classe C em todas as faixas de renda subiu de 19% para 38% e essas pessoas foram alçadas ao consumo", afirma.
Segundo Umberti, a tendência é que esse comportamento continue. "A população na classe C é grande e, com o barateamento dos computadores e os planos para ampliar o acesso à bana larga, mais gente vai fazer sua primeira compra pela internet. A partir daí, as pessoas percebem como é simples e continuam", avalia Umberti.
Fonte: Jornal O Tempo
Postado em: 05 de Agosto de 2011