A vez dos livros eletrônicos

Este é um artigo de Leonardo Almeida Bortoletto* publicado no Jornal O Tempo no dia 16 de Janeiro de 2016.

A quantidade de bons livros de autores brasileiros e estrangeiros disponíveis é imensa. Encontramos livros de poesia, de ficção, de romance, didáticos, policiais, científicos e de autoajuda. O estímulo à leitura é importante para nosso desenvolvimento e formação e, por isso, em abril foi criado o Dia Internacional do Livro como oportunidade de motivar o prazer à leitura e de reconhecer a contribuição dos autores para a evolução social e cultural do país. Embora entre os brasileiros não seja comum o hábito de ler livros, uma nova forma de leitura está chegando e, aos poucos, deixa de ser promessa para virar realidade: os livros eletrônicos ou e-books.

Os e-books começaram a ser vendidos no Brasil em 2009. O número sempre foi baixo, se comparado aos Estados Unidos, mas a situação está mudando. A chegada de grandes grupos do setor virtual é um forte indicativo de que o campo editorial brasileiro é um dos mais visados. Em português, já existem mais de dez mil livros digitais disponíveis. As dez maiores editoras brasileiras somam quase 4.100 e-books e representam mais de 1/3 dos e-books em português. Se considerarmos as 30 editoras que mais oferecem as versões digitais, elas respondem por metade dos títulos.

Outro ponto positivo para que os livros digitais avancem é o crescimento e a popularização dos tablets e dos smartphones. Estudo realizado pela GfK Custom Research Brasil, entre janeiro e agosto de 2012, mostrou que a comercialização de tablets teve aumento de 267% e a venda de smartphones subiu 55% em relação ao mesmo período de 2011. Para disseminar os e-books, o Governo Federal publicou edital para a compra de 80 milhões de livros digitais didáticos. Além disso, serão adquiridos mais de 600 mil tablets para professores. A encomenda é um passo decisivo para organizar e impulsionar o mercado editorial eletrônico, visto que cerca de 30% do setor vem de encomendas governamentais. Talvez seja o primeiro passo para popularizar a leitura virtual e fazer com que o brasileiro comece a gostar de ler com mais frequência.

Como o mercado tem-se mostrado promissor quanto aos e-books, aos poucos, os e-readers começarão a ganhar espaço. O leitor digital, como pode ser chamado, foi desenvolvido para proporcionar o máximo de semelhança com o papel. A tecnologia do e-reader reflete a luz como na folha, fazendo com que a leitura se torne mais agradável aos olhos, diferentemente do tablet ou computador. Além disso, a média de preço da versão virtual é, em média, 30% mais baixa que o livro convencional.

Ainda é preciso ultrapassar a resistência dos leitores apegados aos impressos. Com o dispositivo certo, a leitura virtual é parecida com a de um livro de papel. Sem contar que é possível armazenar vários títulos no e-reader, sem pesar a bolsa ou a mochila, e ler em qualquer lugar e momento. Os e-books podem ser considerados uma revolução, mesmo que ainda em “fase de testes” no país, e espera-se que aumente o número de leitores e de brasileiros que tenham prazer na leitura. Ler é divertido e saudável. Para começar, basta escolher um título que mais agradar e mergulhar na história.

*Leonardo Almeida Bortoletto é especialista em Inteligência Digital, presidente da Web Consult. Formado em Administração de Empresas, é conselheiro titular do MGTI; presidente executivo da SUCESU-Minas, vice presidente da SUCESU Nacional e membro do Conselho Deliberativo da Fumsoft.