Obsolescência programada e suas consequências

Este é um artigo de Leonardo Almeida Bortoletto* publicado pelo Jornal Estado de Minas no dia 02 de Setembro de 2015.

A modernidade trouxe consigo uma forte tendência que as empresas têm adotado em suas práticas comerciais: a obsolescência planejada. Na prática, o termo se configura na programação da vida útil de um determinado produto, fazendo com que o consumidor seja induzido a utilizar novamente aquele produto contínuas vezes.

Os casos mais comuns de ocorrência da obsolescência planejada são em produtos eletro eletrônicos, onde o fabricante assume o compromisso da durabilidade e usabilidade de seus itens com um tempo de vida pré-determinado. Diferente do que conhecemos por garantia, que é um compromisso assumido pelo fabricante de que aquele serviço ou produto terá o desempenho prometido e desejado em um determinado prazo. Mas, sabemos que, em certas circunstâncias, determinados aparelhos podem exceder seu tempo de durabilidade, superando a expectativa de sua garantia. Isto ocorre em muitos casos, pois, a garantia não se resume necessariamente a obsolescência planejada. Armazenar os aparelhos de forma segura, utilizando-os corretamente, pode prolongar sua vida útil além do prazo garantido pelo fornecedor. Mas, este tipo de cuidado não se aplica ao fato de ele ter um tempo de vida pré-determinado, que cedo ou tarde chegará.

A obsolescência planejada garante aos comerciantes uma margem de lucro garantida, pois, ao ter seu produto descartado, a lógica mercadológica é ter sempre uma praça de consumidores ávidos a buscar aquele tipo de produto. No entanto, esta prática tem nos mostrando que o caminho do descarte contínuo de objetos, principalmente eletrônicos, vem acumulando lixo e descartes desnecessários na natureza, o que preocupa a comunidade cientifica e ambiental. De acordo com dados do Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (IDEC), a humanidade vem consumindo 30% a mais do que o planeta é capaz de repor e absorver. Se compararmos e copiarmos os hábitos de consumo da sociedade norte-americana, seriam necessários quatro (4) planetas Terra para suprir esta nossa necessidade.

Hábitos como este não trazem prejuízos apenas ao estilo de consumo. O impacto ambiental é diretamente afetado, já que em 2014 foram registrados 400 partes por milhão (PPM) de partículas de CO2 na atmosfera terrestre, maior nível já registrado na história. O questionamento gira em torno de haver tecnologia suficiente para produzirmos bens duráveis para uma vida toda, e a questão esbarra em interesses comerciais. Então, como fazer para aliar progresso e necessidade ao consumo? Este será o desafio não do século, mas do milênio, e espero estar vivo para presenciá-lo.

*Leonardo Almeida Bortoletto é especialista em Inteligência Digital, presidente da Web Consult. Formado em Administração de Empresas, é conselheiro titular do MGTI; presidente executivo da SUCESU Minas e membro do Conselho Deliberativo da Fumsoft.